Odiamos o que quase somos.
Habitualmente detestamos o que nos é semelhante e os nossos próprios defeitos vistos de fora exasperam-nos.
Ao sábio não o movem nem a afeição nem o ódio, o lucro nem a perda, as honrarias nem os vexames. E por essa razão é ele tido em tão alta estima por todo o mundo.
Quando sentimos que não há razão para sermos estimados, estamos à beira de lhe ter ódio.
Nós temos a religião suficiente para nos odiarmos, mas não a que baste para nos amarmos uns aos outros.
O homem é um animal sociável que detesta os seus semelhantes.
Sobre tudo o que detestas, reflecte.
Pois se o eu é odioso, amar ao próximo como a si mesmo torna-se uma atroz ironia.
A natureza abomina o espírito.
A natureza detesta o vazio.